A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagraram, na manhã desta sexta-feira (8), a Operação Caronte, ação que mira um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). O principal alvo é o influenciador digital e produtor rural Eduardo Magrini, conhecido como “Diabo Loiro”, ex-padrasto do funkeiro MC Ryan SP.
Magrini já havia sido preso em outubro de 2025, durante a Operação Off White, no âmbito de investigações que apuravam um suposto plano do PCC para assassinar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, do Gaeco de Campinas. Agora, empresas ligadas ao seu nome são alvo de busca e apreensão.
As investigações sobre o “Diabo Loiro” remontam a 2016. Ao longo desse período, autoridades acumularam análises fiscais, bancárias e informações que revelaram movimentações financeiras incompatíveis com os rendimentos declarados pelos alvos. Segundo as apurações, Magrini utilizava sócios “laranjas” para movimentar recursos ilícitos por meio de empresas dos setores de transporte e rodeios, além de ostentar publicamente um estilo de vida luxuoso — com viagens, carros de alto padrão e participações em rodeios — acumulando mais de 100 mil seguidores nas redes sociais.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 10 milhões em contas bancárias dos investigados, além do confisco de veículos e outros bens. A operação cumpriu 11 mandados de busca e apreensão nas cidades de Campinas, Atibaia, Monte Mor, Sumaré, Limeira, Mogi das Cruzes, Osasco e Taquaritinga.
Entre os bens apreendidos, destaca-se o touro “Império”, 3º colocado no ranking nacional da Confederação Nacional de Rodeio (CNAR) — o que aponta para a sofisticação do esquema, que utilizava animais de alto valor para disfarçar a origem ilícita dos recursos.
O filho de Magrini, Mateus Magrini, também é alvo da operação. Ele é suspeito de movimentar dinheiro ilícito por meio de uma empresa do ramo musical e já havia sido investigado na Operação Narco Fluxo, da Polícia Federal, ao lado de MC Ryan SP.
MC Ryan SP foi preso em 15 de abril de 2026 pela PF, no âmbito da Operação Narco Fluxo, acusado de liderar uma rede de lavagem de dinheiro com movimentação superior a R$ 1,6 bilhão. O esquema também envolve o cantor MC Poze e o dono da página Choquei, Raphael Sousa Oliveira, ambos detidos na mesma ação.
O nome da Operação Caronte é uma referência ao barqueiro da mitologia grega responsável por transportar as almas dos mortos até o submundo de Hades — uma alusão direta à alcunha “Diabo” do investigado.



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