A Polícia Federal e a Receita Federal desarticularam nesta terça-feira (28) um esquema de corrupção que movimentou impressionantes R$ 86,6 bilhões em mercadorias no Porto do Rio de Janeiro. A Operação Mare Liberum investiga a facilitação de contrabando e o pagamento de milhões em propinas para servidores públicos.
Um dos principais alvos da investigação é o auditor-fiscal Pedro Antônio Pereira Thiago. Ele é apontado pelas autoridades como um dos líderes do grupo criminoso e chegou a comandar a alfândega do porto carioca entre os anos de 2020 e 2023, durante a gestão federal anterior.
Ao todo, 17 auditores-fiscais foram afastados de suas funções por determinação judicial. As investigações começaram em 2022, após denúncias e controles internos da Corregedoria identificarem movimentações suspeitas que duraram até março de 2026.
De acordo com os detalhes da operação, o esquema envolvia a liberação irregular de cargas e o descaminho de produtos. O grupo teria recebido dezenas de milhões de reais para ignorar fiscalizações obrigatórias e beneficiar empresas específicas no terminal portuário.
Pedro Thiago, o ex-delegado da alfândega citado no inquérito, havia conseguido se aposentar voluntariamente com salário integral no início deste mês de abril. A decisão sobre sua aposentadoria foi publicada no Diário Oficial apenas algumas semanas antes da deflagração da operação policial.
A ação conjunta entre PF, Receita Federal e Ministério Público Federal busca agora identificar outros envolvidos e rastrear o destino do dinheiro ilegal. O volume de mercadorias que passou pelo esquema sem a devida tributação assusta as autoridades pelo impacto bilionário aos cofres públicos.




