As apreensões de canetas emagrecedoras na fronteira entre o Brasil e o Paraguai bateram recorde no início de 2026. O principal alvo das autoridades é a retatrutida, uma substância experimental que promete perda de peso acelerada, mas que ainda não possui registro sanitário em nenhum lugar do mundo e está em fase de testes.
Somente nos três primeiros meses deste ano, as apreensões no Paraná somaram mais de R$ 11 milhões, valor que já supera todo o montante registrado durante o ano de 2025. A droga é considerada a ‘terceira geração’ dos remédios para obesidade, prometendo eliminar quase 30% do peso corporal, porém seu uso fora de estudos clínicos é proibido.
O perigo para quem compra essas versões clandestinas no Paraguai é altíssimo. Como o transporte é feito de forma ilegal, escondido em pneus ou motores de carros, o medicamento perde a refrigeração obrigatória. Sem o controle de temperatura, a substância pode virar um criadouro de bactérias, causando infecções graves em quem aplica a injeção.
A farmacêutica Eli Lilly, que desenvolve a molécula original, alerta que as versões vendidas livremente no país vizinho não são oficiais e podem ser fatais. A Anvisa já proibiu diversas marcas paraguaias que circulam nas redes sociais, como Gluconex, Tirzedral e Lipoless, reforçando que esses produtos não têm garantia de segurança.
A Polícia Federal aponta que o contrabando dessas canetas se tornou um negócio lucrativo para organizações criminosas devido à alta procura e facilidade logística. O esquema deixou de ser apenas coisa de ‘sacoleiros’ e passou a ser monitorado como atividade de grandes grupos ilícitos na região da fronteira.
Quem for flagrado transportando ou comercializando esses medicamentos sem autorização pode enfrentar sérios problemas com a justiça. A prática é enquadrada como crime hediondo contra a saúde pública, com penas pesadas que podem variar de 10 a 15 anos de prisão.




