O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista, o Bap, defendeu abertamente uma revisão nas regras das Sociedades Anônimas do Futebol (SAF) no Brasil. Durante um evento esportivo na última quinta-feira (23), o dirigente demonstrou preocupação com o rumo das dívidas de clubes que adotaram o modelo, citando o caso recente do Botafogo como um alerta negativo.
Para Bap, o Bahia é um dos exemplos que devem ser seguidos. O clube baiano, hoje gerido pelo City Football Group, foi citado ao lado do Red Bull Bragantino como casos de sucesso onde os compromissos financeiros estão sendo honrados. O dirigente destacou que o capital estrangeiro é bem-vindo, desde que sirva para sanar dívidas e cumprir a palavra empenhada.
A crítica principal do presidente rubro-negro recai sobre o pedido de recuperação judicial feito pela SAF do Botafogo. Bap questionou como um clube que deveria resolver seus débitos antigos acaba multiplicando as dívidas em poucos anos e depois recorre à justiça para renegociar tudo em um único pacote, sem sofrer punições severas.
O dirigente defende que a lei da SAF é importante para o futebol nacional, mas precisa de limites e obrigações mais rígidas. Segundo ele, não é aceitável que investidores recebam crédito, não cumpram as promessas de gestão e saiam ilesos de situações financeiras críticas.
A relação entre Flamengo e Bahia tem se estreitado nos bastidores políticos. O CEO do Tricolor, Raul Aguirre, trabalha em conjunto com Bap na liderança da LiBRA, grupo que busca a criação de uma nova liga profissional para organizar o Campeonato Brasileiro.
O pedido de recuperação judicial do Botafogo, que motivou as declarações, revela um rombo bilionário. Os documentos entregues à Justiça do Rio de Janeiro mostram dívidas que superam os R$ 2,5 bilhões, evidenciando a crise financeira que o clube carioca tenta contornar.




