Cientistas brasileiros alcançaram um feito histórico com o nascimento do primeiro porco clonado da América Latina. O animal, que nasceu em Piracicaba (SP), é a peça principal de um projeto que pretende usar órgãos de suínos para salvar vidas humanas no Brasil.
O grande objetivo da pesquisa, liderada pela USP, é fornecer rins, corações, peles e córneas para o Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa busca acabar com as gigantescas filas de espera por transplantes e diminuir a dependência do país em relação a tecnologias estrangeiras.
Para que o corpo humano não rejeite o órgão do animal, os pesquisadores utilizaram uma técnica avançada de edição genética. Eles desativaram genes do porco que causam rejeição e inseriram sete genes humanos nas células, garantindo que o órgão funcione corretamente após a cirurgia.
O porquinho nasceu com 1,7 kg e apresenta saúde perfeita. Os porcos foram escolhidos para o estudo porque seus órgãos têm tamanho e funções muito parecidos com os dos seres humanos, além de terem um ciclo de reprodução bastante rápido.
Os animais serão criados em laboratórios de altíssima segurança sanitária em São Paulo. Esses locais garantem que os porcos cresçam livres de vírus ou bactérias, já que os órgãos produzidos serão tratados como produtos médicos rigorosos para garantir a segurança dos pacientes.
Atualmente, a demanda por transplantes de rim, córnea, coração e pele representa 94% dos pedidos no sistema público brasileiro. Com o domínio dessa clonagem, o Brasil se coloca na frente para resolver esse problema de saúde pública de forma estratégica.
Agora, os cientistas vão monitorar o crescimento do clone até que ele possa se reproduzir naturalmente. A ideia é formar um grupo de animais que já nasçam com essas modificações genéticas, facilitando a oferta de órgãos para o futuro.




