A Justiça de Salvador decidiu converter em preventiva a prisão em flagrante de Maria Cândida Villela Cruz, de 74 anos. A idosa foi detida na última terça-feira (21) após proferir ofensas racistas contra um soldado da Polícia Militar no bairro do Rio Vermelho. A decisão foi assinada pela juíza Martha Carneiro Terrin e Souza durante audiência de custódia.
De acordo com o registro policial, a mulher, que mora em Brasília e passeava na capital baiana, abordou uma guarnição para questionar o uso de armas pelos agentes. Mesmo após explicações pacíficas, ela passou a atacar o soldado Rafael Conceição Florêncio com frases discriminatórias. Entre as ofensas, Maria Cândida afirmou ser superior por ser branca e declarou que em sua cidade de origem só havia brancos, enquanto em Salvador só teria negros.
Além dos ataques verbais, a idosa demonstrou agressividade e resistiu à prisão, chegando a se agarrar em grades para não ser conduzida. Em vídeos que constam no processo, ela chegou a dizer que lutaria contra os policiais caso estivesse armada. Os agentes precisaram utilizar força moderada para contê-la e levá-la à delegacia.
A defesa da idosa tentou anular a prisão alegando uso de força excessiva e problemas de saúde mental, apresentando laudos de declínio cognitivo e ansiedade. No entanto, a magistrada negou os pedidos, destacando que os documentos não foram assinados por psiquiatras e que exames de corpo de delito não apontaram agressões por parte dos policiais.
Ao manter a idosa na cadeia, a juíza ressaltou que a atitude foi consciente e representou um risco à ordem pública. Para a magistrada, a conduta de confrontar as forças de segurança com racismo e resistência ativa justifica a permanência da custódia, mesmo a acusada sendo idosa e sem antecedentes criminais.
O Ministério Público da Bahia chegou a sugerir que ela respondesse em liberdade, mas a Justiça entendeu que as medidas cautelares comuns não seriam suficientes para o caso. Agora, a Corregedoria da PM também deve apurar se houve qualquer excesso na conduta dos policiais durante a ocorrência, conforme solicitado pelo MP.




