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| Foto: Reprodução | |
Medida inédita implementada pelo Supremo Tribunal Federal facilita a locomoção de eleitores de baixa renda através do transporte coletivo, fator considerado estratégico no cenário eleitoral acirrado.
A distância entre os primeiros colocados no primeiro turno da eleição presidencial tende a ser a menor desde a redemocratização, enquanto o segundo turno aponta cenário de empate numérico entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), segundo as pesquisas mais recentes. O pleito deve ser decidido voto a voto, exigindo que as estratégias de campanha considerem fatores específicos capazes de alterar o resultado, analisa o jornalista Rafael Barbosa, do Poder360.
| Impacto da abstenção no cenário eleitoral |
Barbosa diz que entre esses fatores está a abstenção, que registrou mais de 32 milhões de ausências na primeira rodada e na segunda etapa da última eleição geral em 2022. Naquele ano, Lula venceu Jair Bolsonaro no segundo turno por uma diferença de pouco mais de 2 milhões de votos, o que demonstra que uma variação na taxa de comparecimento poderia ter revertido o resultado.
| Gratuidade no transporte público como novidade |
Uma mudança inédita nesta eleição geral é a oferta de transporte coletivo gratuito em todas as cidades do Brasil que possuem o serviço, operando com horários equivalentes aos de dias úteis. A medida decorre de uma decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal tomada em 2023, que julgou inconstitucional a omissão do poder público e determinou a gratuidade para todas as eleições a partir do pleito municipal de 2024, abrangendo o transporte urbano municipal, intermunicipal e metropolitano, comenta o jornalista.
| Relação entre renda e participação nas urnas |
A gratuidade beneficia politicamente Lula, que historicamente obtém maior votação entre os eleitores de menor renda. Dados do levantamento PoderData/Aya indicam que o candidato petista registra vantagem expressiva entre desempregados e cidadãos que ganham até dois salários mínimos. Como as faixas de menor escolaridade e renda apresentam historicamente os maiores índices de abstenção, a facilidade de deslocamento pode impulsionar a presença desse público nas urnas.
| Dados de utilização do transporte coletivo |
Estatísticas do IBGE mostram que 16 milhões de trabalhadores utilizam o transporte público como principal meio de deslocamento, sendo 14,9 milhões dependentes de ônibus e 1,1 milhão de trens ou metrôs. A utilização é proporcionalmente maior no Sudeste, indicando as regiões onde a gratuidade pode ter maior alcance prático entre os eleitores que já integram essa rotina de mobilidade.
-Região Sudeste concentra maior proporção de usuários de transporte público;
-Medida substitui iniciativas municipais isoladas de 2022;
-Fatores climáticos também entram nas projeções de comparecimento.
| Interferência das condições climáticas |
Outro elemento de incerteza apontado para o dia da votação é a previsão de chuvas do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec) para as regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste. Temporais prolongados podem afetar a mobilidade, prejudicando especialmente eleitores de menor renda que dependem de transporte público e residem em áreas mais vulneráveis. A disputa acirrada e a imprevisibilidade desses fatores mantêm a abstenção como uma variável determinante para o desfecho da eleição, finaliza Rafael Barbosa.




