O asfalto que cobre as ruas de Paulo Afonso e de tantas outras cidades pode ser um inimigo invisível para a saúde. Estudos recentes revelam que o material, além de esquentar as áreas urbanas, libera substâncias químicas tóxicas no ar, aumentando o risco de doenças respiratórias e até casos de câncer de pulmão.
A substância responsável pelo problema é o betume, um derivado do petróleo usado na pavimentação. Quando exposto ao sol forte e altas temperaturas, esse componente emite compostos orgânicos voláteis que se espalham pelo ambiente. À noite, esses gases se transformam em partículas minúsculas que invadem o organismo humano.
Quem mora em regiões muito pavimentadas ou trabalha diretamente com obras de asfalto corre mais riscos. No curto prazo, a exposição causa tontura e irritação nas vias aéreas. Já o contato prolongado e constante com esses vapores está sendo ligado por pesquisadores a problemas neurológicos e danos severos ao sistema respiratório.
O asfalto velho, que sofreu desgaste pelo sol ao longo dos anos, consegue ser ainda mais perigoso. Ele libera partículas pequenas o suficiente para penetrar profundamente no corpo, afetando principalmente idosos e pessoas com saúde mais frágil, que são os mais vulneráveis à poluição urbana.
Como alternativa para reduzir os danos, cientistas da Universidade Estadual do Arizona estão testando um novo tipo de asfalto feito com algas. Essa inovação promete reduzir a toxicidade das emissões em até 100 vezes, além de ser mais resistente ao desgaste causado pelo clima.
Por enquanto, os especialistas defendem que os governos comecem a incluir esses poluentes do asfalto nas medições oficiais de qualidade do ar. O objetivo é tratar a pavimentação não apenas como infraestrutura, mas como uma questão de saúde pública que impacta diretamente a vida do trabalhador.




