A Anvisa autorizou nesta quarta-feira (22) o uso do medicamento Mounjaro, que tem como base a tirzepatida, para tratar jovens de 10 a 17 anos diagnosticados com diabetes tipo 2. A decisão marca a chegada da primeira terapia de sua classe voltada especificamente para o público pediátrico no país.
O remédio atua simulando hormônios que ajudam o organismo a controlar o açúcar no sangue e a regular o apetite. A medida foca em um grupo considerado vulnerável, já que o diabetes tipo 2 costuma ser mais agressivo em crianças e adolescentes do que em pacientes adultos.
A liberação ocorreu após estudos mostrarem que mais de 86% dos jovens que usaram a dose de 10 mg conseguiram atingir as metas de controle de glicose. Além da melhora no açúcar, os testes apontaram uma redução média de 11,2% no Índice de Massa Corporal (IMC) dos participantes.
A situação do diabetes entre os mais novos preocupa as autoridades de saúde brasileiras. O Brasil está entre os dez países com mais casos infantis no mundo, somando cerca de 213 mil adolescentes com a doença e quase 1,5 milhão em estado de pré-diabetes.
Em relação aos efeitos colaterais, os pacientes relataram principalmente sintomas gastrointestinais, como náuseas, vômitos e diarreia. Segundo os pesquisadores, esses episódios foram de intensidade leve a moderada e ocorreram com mais frequência no início do tratamento.
O acompanhamento de longo prazo, realizado durante 52 semanas, confirmou que os benefícios do medicamento se mantiveram sem registros de hipoglicemia grave. A nova opção terapêutica surge como alternativa para jovens que não respondem bem aos tratamentos tradicionais.




